
Isso aconteceu ontem à noite, de forma espontânea e natural. O local era uma mesa de bar, ocupando parte do passeio público. Seria talvez o nosso happy-hour, nestas intermináveis tardes do nosso horário de verão. O encontro foi casual. Se não estou enganado, pela primeira vez tenho a oportunidade de discorrer sobre vários assuntos com um deles. Amigo culto, de bom papo, de convicções fortes e claras. Com uma vontade enorme de viver, com uma visão diferenciada, no seu atual quadro emocional. Aprendi muito nesta rodada de cervejas, com muitas saideiras. Estou falando do Trajano, ignorando totalmente o seu vasto currículo profissional. Simplesmente, falo do amigo Trajano. E sem saber que no dia de hoje inicia a “Festas das Luzes” na comunidade judaica, falamos na mesa de bar, também sobre os judeus. E respeitando muito a bagagem cultural do meu amigo, perguntei a ele: Sabes de algum judeu que tenha “quebrado”? Que tenha tido um fracasso, econômico e financeiro na sua atividade? E Trajando, prontamente se manifesta com um vozeirão quase de tenor, característico de um tribunal de júri, e diz: “Tive um cliente judeu, no início de minha carreira profissional, que por um somatório de motivos faliu". E este cliente, segue Dr. Trajano, honrou todos seus compromissos de forma jamais vista, dentro do folclore popular sobre as transações comerciais na comunidade judaica. Valeu Trajano, me sinto honrado em ter participado desta mesa de bar, juntamente com nosso amigo comum, Maurício.